segunda-feira, 4 de abril de 2016

 Sei que vocês viram esse título e imaginaram um funk, algo irreverente, descontraído e cômico, mas não é esse o meu propósito aqui. Hoje vou brincar de forma diferente, vou brincar de falar sério. De mostrar e desenhar os fatos. Vou brincar de ser Pedro Bial por um dia:
 

 Quem diria...

 Quem diria que a final de um BBB que marcou a volta da popularidade nas ruas, nas redes sociais e em qualquer ambiente fosse terminar nas mãos de
duas meninas de pouca idade, ou seria maturidade? A idade é comprovadamente a mesma, apesar dos comportamentos serem assustadoramente opostos. Sim, de um lado nós temos uma menina de pouca experiência na vida, que viveu em uma zona de conforto a vida toda e que suas atitudes e jeito de ser condizem exatamente com o número da identidade. Cacau é uma metralhadora de emoções e gritos histéricos em busca de atenção e holofotes. Há quem diga que seus choros exaustivamente constantes não passem de cena, vitimismo, ou, popularizando, "mimimi". Mas será? Os olhos iludidos brilharam desde a primeira semana com a entrada de Matheus. E ali, deitados na grama ao som de música romântica, começou uma novela interminável no maior estilo Malhação, onde o núcleo do casal coadjuvante é aquele em que o rapaz pega a moça afim de tirar algum benefício disso. A falta de reciprocidade tornou a situação ainda mais intragável e realçou a carência de maturidade de Maria Claudia. Se seu sofrimento foi espontâneamente natural, isso só você sabe. Mas que foi execrável e desagradável aos nossos tímpanos, ah foi...

  Quem diria...

 Quem diria que uma goianinha do sotaque carregado que tinha a antipatia do público antes mesmo de começar, fosse conquistar a grande massa. Pela sua chamada parecia ser o tipo de participante mais clichê que o BBB já selecionou. Linda, sotaque de interior, cara de sonsa e apegadinha. Quantas e quantas mulheres com esse perfil já passaram por aqui... até nascer um mulherão com rosto e corpo de lolita pra quebrar esse estigma. A verdadeira Munik nasceu no primeiro dia do BBB16 onde afirmou que "veio pra jogar e animar a casa", mas até aí não convenceu muito não viu? Dona de um rostinho estereotipado, Munik chegou com a missão de quebrar o prejulgamento embasado pelo histórico de participantes com exteriores lindos e interiores tão desprovidos de conteúdo, carisma e personalidade. E quem diria... quem diria que a caipirinha de pequi sem grandes promessas fosse ser a maior surpresa da edição. Há quem tenha a ousadia de afirmar que Munik foi "sombra de Ana Paula" "planta", essas pessoas não assistiram o mesmo programa que eu. Munik construiu a sua própria trajetória no programa e começou já na primeira semana, onde foi a primeira a mulher a acordar quanto ao jogo da rejeitada "macholândia" e proporcionar um papo calcinha entre todas as mulheres da casa horas antes de um paredão aparentemente já formado. O jogo virou. Aliás, virou muitas vezes nessa edição. E quando o BBB16 parecia que ia tomar um rumo mulheres vs homens, Daniel vai pro paredão, Daniel volta do paredão e aí ocorre uma divisão ainda mais interessante: a de mulheres de personalidade que mantiveram sua opinião e postura e as que tentaram extrair do publico uma resposta por um paredão de primeira semana e aliaram-se por conveniência. A partir daí, a macholândia ganha novos integrantes, inclusive mulheres, e perde o seu principal: Ronan, talvez, o único inteligente. Um rumo introduzido por quem? Munik.


 Quem diria...

 Quem diria que a bonitona da edição fosse se aliar a uma das participantes mais descontroladas e carismáticas que o BBB já teve e construir uma das amizades mais bonitas desse programa. Não há o que se questionar quando se afirma que Ana Paula foi a grande estrela dessa edição, isso é um fato verídico. Graças a ela o programa que começava a se tornar previsível e enjoável, voltou a bater recordes de audiência, de votação e popularidade. Mas como a mesma reconhece, Munik foi uma peça fundamental pro seu jogo dar certo, ainda que tão errado (ou não?). O fato é que nesse BBB não existiu certo ou errado, bom vs mal, mocinhos e vilões, justiceiros e inimigos. O que existiu foram tentativas disso, e que felizmente foram perceptíveis e reprovadas aos olhos do público.


 Munik foi o ponto de controle de Ana Paula juntamente com Ronan. Os dois assumiram a responsabilidade de conceder o limite que ela precisou em diversas situações. Munik ouviu os desabafos mais sinceros de alguém que só buscava ser compreendida. Munik aconselhou. Munik segurou a boca. E se irritou também, como naturalmente acontece na vida real com boas e próximas amigas. E as poucas vezes que se omitiu, foi pra não se perder no jogo, afinal, quem não quer ganhar 1 milhão e meio? Em BBB ganha quem apertar o start e adiar o máximo o game over. Assim como Ana Paula, Munik também tem seu brilho próprio, e uma dependeu do brilho da outra pra se sustentar. Essa é a fórmula de uma boa aliança.


 Munik viveu o BBB, Cacau viveu o seu romance inventado. Munik aproveitou cada festa como se fosse a última, Cacau parecia estar mais preocupada com o caos de sua vida amorosa. Munik montou sua aliança desde o começo e a ela foi fiel até o fim, Cacau escorregou o máximo que pode até não dar mais. Munik teve suas "antipatias federais" e fez questão de demonstrar em sua primeira oportunidade, Cacau disfarçava suas aversões com "eu não tenho nada contra você, tá?". Munik nunca escondeu seu interesse em viver um relacionamento dentro da casa, e mesmo assim foi capaz de rir de seus próprios fracassos, Cacau só foi capaz de chorar, e chorar, e chorar mais um pouco, incansáveis vezes, de irritantes formas, AAAH CHEGAAA MENINA!!! Vai curtir esse programa!!! Cadê o bom humor que seu trabalho exige???Quantas e quantas vezes você despertou essa reação do público...


 Honestamente, Munik já poderia ter cativado a sua vitória desde que Laham saiu, e ali assumido uma postura de coitadinha, pq sabe que o público compra esse tipo de situação. Mas como em toda sua passagem pelo programa, preferiu ser fiel a si mesma, a sua personalidade e a sua maneira de lidar com suas próprias frustrações: rindo, gritando "Vai safadão!" e claro, bebendo!


 Miiiiiiniiina, como esquecer das frases "eu não sou obrigada a ser fraca em cachaça", "essa daí num vale o sal do batizado", "tô podre na carniça", "eu não gosto nem de ficar olhando de tão bonito que eu achei", "eu num dô conta desse trem não", "tô de boaça", "num vem ficar amassando barro aqui não, pq aqui é carrrne!", "dongeralda eu vô dar na cara desse menino" vindos desse sotaque que no início parecia tão irritante e depois se tornou tão apaixonante? Como esquecer da jovialidade em aliança com a maturidade que só você trouxe pra esse programa? Como esquecer das amizades incríveis que você construiu aí dentro, da fofura que você viveu por apenas dois dias. Você que de estranha só tem a ortografia do nome, você que é memorável juntamente com seus aliados, você que é singular. Você que agora se torna a participante mais jovem a ganhar o Big Brother Brasil e vai poder projetar o futuro que você e sua familia merecem. Você, Munik!



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